O chumbo é um metal presente na natureza em pequenas quantidades, mas resistente à corrosão. Foi um dos primeiros metais utilizados pela humanidade e a intoxicação por esse elemento tem, portanto, uma longa história. A intoxicação pelo chumbo é chamada saturnismo, termo derivado do deus romano Saturno, que os romanos acreditavam ser quem lhes concedeu esse metal. O chumbo pode estar presente no meio ambiente de forma natural ou como consequência de sua utilização industrial e os casos de intoxicação podem decorrer de qualquer dessas fontes.
Quadro clínico: os sintomas da intoxicação por chumbo são inespecíficos e podem também aparecer em outras doenças. Cansaço, fraqueza, dores musculares, gosto metálico na boca, dor abdominal, diminuição da libido, palidez da pele e mucosas. A intoxicação pode causar manifestações neurológicas, podendo assumir a forma de encefalopatia nos casos mais graves. Alterações hematológicas, anemia com aumento de reticulócitos, podem ocorrer pela ação do chumbo no sangue e medula óssea. Os rins também são afetados por esse metal que pode causar fibrose e alteração da função renal.
Como os sintomas são inespecíficos, o diagnóstico é baseado principalmente no conhecimento das atividades do trabalhador e os possíveis contatos ocupacionais com fumos ou poeiras de chumbo. A suspeita da intoxicação deve ser confirmada através de exames específicos de sangue e urina.
O tratamento consiste inicialmente no imediato afastamento do trabalhador da exposição. Em casos graves pode-se usar substâncias quelantes, substâncias que interagem com o chumbo e promovem sua eliminação através da urina e fezes.
Uma análise minuciosa do ambiente de trabalho com avaliações quantitativas dos riscos ambientais, adoção de proteções coletiva e individuais e exames médicos periódicos são as ferramentas necessárias para proteger a saúde dos trabalhadores e evitar doenças.